“Está na hora de jogá-la fora...”
O último post poderia (deveria?) ter sido o fim deste blog. Muitos assuntos repetidos e a qualidade da escrita já deixando a desejar. E já começa pelo título. “Você, álcool e o maldito lo-fi” não tem quase nada a ver com o conteúdo do post. Claro, há referência a uma música Lo-Fi com essa mesma frase, há o fato de eu ter começado a consumir álcool (hoje eu bebi whisky e tossi feito um amador), e também havia um “você” naquele texto. Mas não houve uma correspondência natural do conteúdo com a temática proposta pelo título.
Também faltou linearidade. Num parágrafo, eu estava falando sobre gays criarem uma cultura nefasta para seus iguais. No seguinte, reclamo de um fake que surgiu no meu WhatsApp. Claro, um gay “nefasto” poderia também estar por trás do fake – querendo me dar golpe –, mas não há um link direto entre uma ideia e outra (é tudo muito subentendido).
A leitura também é cansativa. Eu sou o tipo de pessoa que pega no sono ao ler o próprio texto. E esse costuma ser um dos indicativos de que o resultado ficou ruim, sabe. Porque nem sempre dá pra visualizar o próprio trabalho como alguém de fora faria – “Chama isso de ‘trabalho’? Que piada”. Não adianta cotar os textos com o ChatGPT, porque ele sempre vai ser tendencioso no sentido da crítica ou do elogio.
Hoje eu compartilhei alguns gostos com pessoas da minha família – “Afinal, você não tem amigos, né?”. Perdoem a voz paralela, provavelmente estou lendo Tokyo Ghoul demais. Sempre tive uma lembrança da minha irmã desprezando o que eu escrevia (e olha que essa era a irmã legal). Hoje ela veio me dizer que ficou impressionada com o nível de escrita nas minhas antigas redações. As pessoas que leem o que escrevo acabam me achando meio pedante, mas essa é a forma que eu tenho de me comunicar. E não é uma forma muito eficiente. Sou frequentemente mal-interpretado e desperto o ódio alheio, quando gostaria de despertar compaixão.
Às vezes eu até consigo retificar o que deu errado no processo de escrever um texto. Mas outras vezes eu vejo aquela parede de texto prolixa, confusa (“e, francamente, irrelevante“), e declaro: “Essa porcaria não tem salvação”. Foi o caso do último. Podia ter editado pesadamente, mas deixei como estava. Porque o problema é mais profundo (“O buraco é mais embaixo, hehe”). Talvez não somente a minha gramática e os meus erros de digitação demandem retificação. Talvez eu precise ser retificado enquanto ser humano.
“Está na hora de jogá-la fora”…
“Você não disse que ia se tornar prático, pragmático, eficiente e calculista, Tonhão? Que uso uma pessoa racional poderia fazer de um blog pessoal? Praticamente um diário aberto, expondo suas intimidades fedorentas para quem desejar abri-lo”.
“É apenas o verso de uma música ucraniana que peguei emprestado.” – confissão anticlimática que já no primeiro parágrafo joga fora toda a atenção que o título atraiu.
“Preciso ter uma vida movimentada ou muita bagagem cultural?” – mais uma vez escrevendo sobre a própria falta de conteúdo, tão idiota quanto começar um texto dizendo que não tem nada pra dizer.
“Pra mim, foi quando se intensificou toda essa dilaceração do meu afeto.” – “dilaceração do meu afeto” soa forçado, ninguém vai levar sua escrita a sério quando você usa palavras tão pouco naturais para descrever uma experiência banal como levar um fora no grindr
“Hoje um filho da puta com foto genérica de policial e ‘Dr.’ no nome me ligou duas vezes.” – tá, mas os que isso tem a ver com o resto do post?
“Também comprei uma ducha retal através do ifood às duas e pouco da manhã.” – muita informação pra pouca frase, o leitor vai ficar perdido
“Quanto ao que vem depois disso, eu cansei de relatar aqui, mas nunca em detalhes” – sim, tanto que o conteúdo desse post INTEIRO é mera reciclagem do que já apareceu nos anteriores
“Devo ser o único gay na face da Terra a adotar esta estética disruptiva num aplicativo de fast- foda.” – sim, você é um floquinho de neve especial
“Quanto ao passivo submisso, bem…” – começar um parágrafo assim é simplesmente IRRITANTE, é algo que TESTA A PACIÊNCIA DO LEITOR, porque tem a pachorra de achar que alguém se interessa pelo seu falatório afetado sobre um passivo submisso
“Tirando o Kevin, que conheci no Tinder” – é uma necessidade tão grande de se validar que você compartilha a única vez em que um cara bonito correu atrás de você, mesmo que isso interrompa a elaboração do seu raciocínio
“Essa eu cheguei a compartilhar com o passivo submisso, afinal eu estava acostumado a mostrar pra ele o que havia de mais rastejante em mim.” – cronologia confusa, afinal no parágrafo anterior você já relata como havia parado de falar com o passivo submisso
“Eu estava ferido, e pessoas feridas fazem coisas irracionais.” – desculpa esfarrapada e piegas que não convence ninguém
“Quando ainda estava tentando demonstrar ser alguém interessante pra ele, e não um infantiloide desequilibrado, compartilhei o meu gosto por músicas ucranianas.” – claro, até porque ouvir músicas ucranianas automaticamente te torna interessante (será que um ucraniano que houve músicas brasileiras é interessante no país dele?)
É, acho que não adianta reclamar que o post anterior foi uma reciclagem de vários outros, sendo que este post é uma reciclagem do anterior (ou seja, uma reciclagem da reciclagem). Falta ter vida.
“Está na hora de jogar esta persona fora…”
“Quantas vezes o Kaneki vai precisar mudar a cor do cabelo até deixar de ser um perdedor?”