Golpistas do Grindr

Essa semana eu levei dois golpes de caras que conheci no Grindr. Isso resultou num prejuízo total de 95 reais. Sinceramente? O dinheiro em si nem vai fazer falta. Melhor levar esses golpes financeiros do que os golpes emocionais que estava levando antes.

Antes de falar sobre o último golpe, vou contextualizar minha situação. Eu tinha visto os vídeos de um dev gay que eu odeio fazendo uma EuroTrip em 2020. Daí tomei a decisão de priorizar o meu desenvolvimento profissional/acadêmico e deixar essas questões sexuais e românticas completamente de lado. Não apenas isso, mas estava disposto a me blindar contra qualquer influência externa imprevisível, o que inclui o meu afastamento de todas as redes sociais (não necessariamente do meu blog). Tudo isso desencadeado por uns vídeos de instagram que eu considerei nostálgicos e inspiradores, sabe-se lá o porquê.

Mas essa ideia é meio recorrente na minha vida. Já havia considerado isso em 2020, mas acabou que a abordagem era muito extrema e não deu muito certo. Pra vocês terem uma ideia, eu tinha essa expectativa transumanista de arrancar de mim tudo aquilo que me torna humano, tendo como referência a “perfeição” de uma máquina. Tá, eu não tô falando sério. Essa parte da máquina tava mais pra uma fantasia sci-fi que eu namorava na minha mente fértil.

A essência da coisa era mais o ascetismo que eu vi sendo proposto em um livro que resumia a filosofia de Schopenhauer. Passando, é claro, pelo “self-restraint” defendido pelo Pavel Durov, que na época tinha ficado um mês vivendo à base de água. Bem aleatório, mas esses eram os principais expositores da minha filosofia de vida em 2020. Como mencionei, nunca consegui colocá-la em prática.

A filosofia supracitada tinha como principal pilar a rejeição dos prazeres e das tentações que a carne poderia trazer. Foi levada ao extremo porque eu queria me proibir de me masturbar, de ouvir músicas e até de ler livros. Em parte até funcionou, mas em compensação eu não fazia nada da minha vida, e ainda perdi o meu melhor amigo no processo. E agora cá estou eu fazendo um monte de coisas que deixariam o meu eu de 2020 completamente constrangido.

Tipo assim, imagina chegar ao ponto de ser rejeitado por gays. É realmente o fundo do poço. Naquela época, eu nem cogitava me relacionar com viados, porque eles, em sua masculinidade atrofiada, não chegavam a me atrair. E agora estou fazendo o quê? Pagando pra transar com um ogro fumante fedorento e muito mais feio do que eu, e ainda deixando eles aplicarem golpes em mim.

Pois bem, deve estar parecendo que meu raciocínio descarrilou, então o que isso tem a ver com a minha situação atual? Acontece que falar é fácil, né. De nada adianta eu querer retomar aquela filosofia de vida agora, se as minhas emoções frequentemente levam a melhor sobre mim, como demonstrado inúmeras vezes pelo meu passado.

Eu estava prestes a apagar o Grindr, literalmente a segundos de desinstalar. Daí apareceu um daqueles perfis vendendo drogas. Nisso entra a conveniência de ter substâncias químicas dando o apoio que eu preciso pra manter minhas emoções sob controle. E o que eu tentei comprar em um primeiro momento foi meramente um remédio para insônia, pois meu relógio biológico está muito desregulado. Não sei se teve algo na minha atitude que demonstrou que eu era uma presa fácil. Mas foi só enviar o pix pra não ter mais retorno. A verdade é que eu estava desesperado por alguma mudança na minha vida e acabei me agarrando ao primeiro vislumbre de salvação que me apareceu. Não vai acontecer novamente.

O mundo gay é sujo, superficial, completamente desprovido de caráter. Antes eu achava que eu era o problema, mas não. São eles que não prestam. E sinceramente, eu até entendo que tenham ficado assim. Quem é relegado a viver no submundo da sociedade acaba sendo exposto a todo tipo de baixaria e malandragem. Eu tinha tomado como missão pessoal infernizar a vida dessas aberrações, mas talvez não precise, porque a vida deles é um inferno por si só. Se tem viado criando perfil pra dar golpe, é porque funciona, porque tem trouxa pra cair, então provavelmente não sou o único passando por isso. Mesmo os que partiram o meu coração devem estar partindo o de outros caras agora.  Os que fingem não se importar ou dizem estar acostumados com isso já estão mortos por dentro há muito tempo.

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