Sei que há implicações éticas envolvidas. No passado, tentativas de “cura gay” resultaram na piora do quadro mental de pacientes submetidos, às vezes levando ao suicídio dos mesmos. Mas quantas vezes a ciência não atropelou a ética pra compreender melhor o mundo e a natureza humana? Chegaram à conclusão equivocada de que alterar a orientação sexual de alguém é simplesmente impossível, mas talvez essas “falhas” sejam explicadas pela ausência de uma abordagem eficaz na época em que esses experimentos foram conduzidos. Porque muitas vezes tentavam mudar a sexualidade de uma pessoa contra a vontade dela, e os métodos empregados com este fim eram muito invasivos e desrespeitosos. Também há no mundo um contexto de discriminação contra homossexuais que fez esses esforços serem vistos de forma negativa, como se os profissionais da área e aqueles que os financiaram estivessem tentando apagar da sociedade uma diversidade indesejada. Independente disso, a homossexualidade não precisa ser entendida como uma “doença” para que alguém queira reorientá-la. Da mesma forma que uma pessoa trans pode se sentir desconfortável com seu sexo de nascimento, um gay também pode experienciar sua sexualidade de forma disfuncional. E nesse caso, ele não terá a quem recorrer, porque os únicos que oferecem esse tipo de mudança são charlatães ligados a movimentos religosos, que monopolizam um assunto cuja pesquisa deveria ser de interesse da própria ciência. Sendo mais abrangente, não estou sugerindo que esse tipo de tratamento fosse oferecido apenas para gays, mas também para homens héteros que se sentem insatisfeitos com a própria sexualidade. Hoje a nossa sociedade está cheia deles.
Muitos profissionais da psicologia encaram a sexualidade humana como uma característica “fluida”, que sofre variações ao longo da vida. Isso significa que uma pessoa pode ser condicionada a sentir atração por coisas que não a excitavam antes. É ainda mais comum entre os homens viciados em pornografia, que acabam procurando conteúdos cada vez mais específicos para se satisfazer. Eu tentei me condicionar a gostar de mulheres recentemente, e até vi um vídeo lésbico, mas apesar de ter ficado excitado no início, não atingi o orgasmo de fato. Mas foi uma experiência tranquila, não me senti traumatizado nem nada, e pretendo continuar tentando. Talvez até pague uma profissional do sexo pra me ajudar. O ideal seria contar com a ajuda de um profissional da psicologia em vez de resolver tudo sozinho, mas é aquilo: “quem não tem cão caça com gato”. Já uso tratamentos alternativos (óleos essenciais e vegetais) até para lidar com a calvície, e tem funcionado bem até então. Nem sempre a ciência tem a resposta pra tudo. Às vezes precisamos descobrir essa resposta sozinhos.
Por fim, não estou fazendo isso por ser religioso, conservador ou qualquer coisa assim. Mas porque gostar de homens é simplesmente um inferno.